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June 02
 Quero poetizar. Sei que não sou poeta, mas quero sentir, quero afirmar. Vou numa página branca desenhar o meu rosto, definir as cicatrizes do meu ser. Gritar ao entendimento alheio os meus anseios e meu prazer. Ainda esquadrinhar as métricas, medir a festa e o gosto do viver. Vou quebrar a régua, extinguir as regras da vã forma de escrever.
Lerei Carlos, hastearei Bandeira, pedirei desculpas a Chico, apelarei para Moraes. Marcarei um encontro com Einstein para expor as relatividades, me mostrarei mais mortal. Analisarei a claridade de Clarice e a cor da Cora.
 Ouvirei a prosa e também o Tom. Falarei direto com Salomão, cantar ei seus cantares. Correrei atrás da sabedoria e buscarei o dom.
Nisto tudo serei sóbrio!
Serei mórbido no amor humano, amarei a morte e o insano. Anunciarei o luar. Farei minha própria música, quero ter mais astúcia no meu querer e pensar. Vou fazer uma plástica, fugirei do pensar das massas, desmistificarei o horror. Serei um novo, voltarei ao ovo no meu gesto e no meu andar.

Procurarei as respostas e, quando encontrá-las, montarei as minhas próprias perguntas. Vestirei o triângulo, mapearei as bermudas, sumirei no mapa e no mar. Quero fabricar meus próprios pensamentos, expor meus sentimentos. Farei o sol nascer.
Vinícius Lima dos Reis Feira de Santana – Ba., 04 de julho de 2006
Selecionada pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores - “Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos – 52º Volume” May 14 Foi um momento breve: um levantar de olhos, um abrir de punhos; um descuido! Adentrou noutros momentos, demorou outros horizontes e, de volta, não mais a viu. Ele a deu... Não! Ela lhe foi roubada! Posto que, na hora exata que a soltou das mãos, ele tinha por certo o seu retorno. Mesmo assim, ela se foi e ele não mais pôde ver seus riscos magros, suas grafias bailadas, sua cor (azul) enfim. Porém, noutro dia, após outros mais de angústia, o destino lha trouxe de volta pelas mes mas mãos que a raptaram. E, num ato de pura misericórdia, despediu-se do agressor (apenas!). Voltou-se ao seu canto e sorriu! Sorriu um sorriso com um ar de agradecimento, mas, ao mesmo tempo, de desgosto e remorso (face à necessidade, ela fora substituída). De súbito, lançou fora aquele pedaço de plástico sem vida que havia usado ao lo ngo dos dias vazios. De pronto, tomou-a! Ela, tão esperada; sua tão querida caneta novamente em suas mãos! Contrito, cobriu-a o corpo com sua mão quente e redimiu-se assinando (ele mesmo) o próprio nome num documento qualquer posto à mesa... Vinícius Lima dos Reis Feira de Santana – Ba., 30 de Dezembro de 2008
Selecionado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores Contos Selecionados de Novos Autores Brasileiros Edição Especial 2009 February 08 Tive o grande prazer de prestar uma entrevista, expor minhas idéias (pelo menos as atuais) à CBJE (Câmara Brasileira de Jovens Escritores). Com grande satisfação, recebi o convite por e-mail contendo um questionário básico, o qual formou tal entrevista. De pronto, o respondi e a mesma foi publicada no site oficial desta conceituada instituição. Quando puder, confira meus pensamentos: http://www.camarabrasileira.com/entrevista329.htm November 10 Poesia selecionada na Antologia "Sensualidade em Prosa e Verso - 2008" pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores Estática, ao canto do quarto, a cama morna Sob os lençóis frios e amarrotados. E ainda, atrás da porta do guarda-roupa, Repousam as cobertas e fronhas frouxas, Travesseiros arrumados. O colchão resistindo à gravidade do ato; Meus ouvidos ávidos por teus devaneios. Teu corpo, tua pele nua; Teus lábios, a boca (tua) engolindo meus beijos. Minhas mãos escorregadias, meu olho vitrificado. Meu vocabulário, antes farto, cede à mudez; Seus membros como cobra, teus seios à mostra; Teu sexo banhado em champanhe Ao custo do salário de um mês. Estranho como a gente se estranha, Como a gente se agarra, Como a gente se arranha Em plena algazarra, em plena fúria. A despeito dos vizinhos: Dados ao vinho, rangendo as estruturas; Quebrando o assoalho, Rindo um bocado de nossos momentos de luxúria. Minha linda flor, um bicho no cio: Beleza e desfrute em uma só moça. Minhas forças (todas) por um fio: Me extasio no ninho de nossa loucura. Vinícius Lima dos Reis Feira de Santana – Ba., 18 de julho de 2008 August 17
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Já era noite quando chegou ao Ginásio. Treinaria sozinho pois havia dispensado o treinador durante todo o dia e resolvera praticar para que o mesmo não terminasse em branco. Temia! As competições começariam em um mês mas hoje “não deu”. Problemas familiares. Chorava!
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Apesar de ser campeão olímpico, não tinha muitos ombros para acalentar-lhe, para debruçar-lhe as mágoas. Sofria!
Entrou e era tarde o bastante para esperar que a água já estivesse fria e não mais tivesse quem o assistisse. Salto ornamental era a sua modalidade e o fazia de forma esplendia. Quem o assistisse desejaria voar em meio àquele vazio e depois cair feito agulha na densidade molhada daquela piscina. Sabia! Perseguia sempre o melhor mesmo sendo ele o próprio. Treinava insistentemente todos os dias em busca do salto, do mergulho perfeito. Mas naquele dia “não deu”. Ansiava!
 Como não havia ninguém, trocou a roupa ali mesmo, junto a escada. Estava escuro mas a lua clareava o tanto para enxergar os degraus e a silhueta dos objetos. Subia! Foi até o trampolim mais alto. Daria uns dois ou três saltos e estes deveriam ser exatos. Desejava ardentemente compensar o dia perdido. A noite estava perfeita. Nem sequer uma mosca competia naquele ar escuro e refrescante. E, lá de cima, a brisa trazia um ar mais leve, rarefeito, quase anestésico. Em cima da plataforma alongou-se e lembrou de seu tempo de criança. Não muito distante mas abafado por anos e anos de treinamentos exaustivos. Brincou de se esconder, fez traquinagens e ainda, enquanto esticava o braço esquerdo ao longo do corpo, deu seu primeiro beijo. Sonhava!
Mas era necessário concentrar-se, esvaziar-se e não apenas se comportar como o melhor – deveria, apenas, ser ele mesmo. O verbo em evidência era o ser: não e comportar como uma agulha, deveria ser a agulha.
Aproximo-se do prolongamento e, com os calcanhares apoiando o seu corpo, deixou metade de seus pés para fora. Seus dedos flutuavam. Voava! Abriu os braços como um equilibrista e já não pensava em nada, tão somente em um número: noventa. Pois é, noventa graus era o foco. Bailar, bailar, bailar e adentrar em exatos noventa graus expulsando a menor quantidade possível de água. Do alto ainda podia-se ver todo o Ginásio, suas estruturas e todas as suas piscinas. E estas eram como vazias sob o perfeito luar daquela noite e, ainda, os sensores das câmeras de segurança pareciam seres à espreita, assistindo de longe o espetáculo. E este era o seu sentimento último: felicidade. Sorria!
Recuou, passo a passo, até o início da plataforma como se fora mergulhar direto para o piso onde se iniciava a escada. Arrebatou-se em inesperada arrancada e já era como um velocista a percorrer os cem metros. Corria! Num salto, lançou-se em movimentos acrobáticos ainda sobre a plataforma e já era m ginasta. Ao final dela, saltou como num salto à distância, alto como num alto a vara (sem a utilização da mesma) e, no ar, era como objeto lançado (peso, lança, dardo, prato, tido...) projetando-se no vazio. Girava!
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Mas não voava como apenas no ar estivesse e a gravidade não lhe impunha sua força. Nadava! Contorceu o seu corpo e músculos de várias formas e produziu mortais e giros inimagináveis. Começou a sua descida num movimento lento, forte e gracioso – era como mestre em arte marcial. Lutava!
Esticou o seu corpo e prolongou os braços (juntos) em direção ao alvo. Até aí, o tempo havia quase parado quando então a agulha, numa fração de um segundo, adentrou a piscina e nem uma gota sequer ergueu-se ao ar. Atingira o seu objetivo: o salto perfeito. Confetes rubis impregnaram o ambiente. Pulsava!
Logo pela manhã os jornais noticiaram o feito inédito. E seu salto (perfeito) era exibido e reprisado várias vezes.
Ainda ao lado da piscina, sobre faixa de isolamento e as placa de manutenção, estavam aqueles que o amavam, debruçados em lágrimas para vê-lo no pódio final da sua vida. Dormia!
Vinícius Lima dos Reis  Mais um selo e, novamente, pela competente Jana Cambuí, de seu múltiplo blog O Infinito Público. “Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc…, que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras." Sem palavras, só tenho a agradecer!
Meus Indicados: O Monólogo Coletivo Luz Acesa e Circulante
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