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August 17 | Já era noite quando chegou ao Ginásio. Treinaria sozinho pois havia dispensado o treinador durante todo o dia e resolvera praticar para que o mesmo não terminasse em branco. Temia! As competições começariam em um mês mas hoje “não deu”. Problemas familiares. Chorava! |  | Apesar de ser campeão olímpico, não tinha muitos ombros para acalentar-lhe, para debruçar-lhe as mágoas. Sofria! Entrou e era tarde o bastante para esperar que a água já estivesse fria e não mais tivesse quem o assistisse. Salto ornamental era a sua modalidade e o fazia de forma esplendia. Quem o assistisse desejaria voar em meio àquele vazio e depois cair feito agulha na densidade molhada daquela piscina. Sabia! Perseguia sempre o melhor mesmo sendo ele o próprio. Treinava insistentemente todos os dias em busca do salto, do mergulho perfeito. Mas naquele dia “não deu”. Ansiava!
 Como não havia ninguém, trocou a roupa ali mesmo, junto a escada. Estava escuro mas a lua clareava o tanto para enxergar os degraus e a silhueta dos objetos. Subia! Foi até o trampolim mais alto. Daria uns dois ou três saltos e estes deveriam ser exatos. Desejava ardentemente compensar o dia perdido. A noite estava perfeita. Nem sequer uma mosca competia naquele ar escuro e refrescante. E, lá de cima, a brisa trazia um ar mais leve, rarefeito, quase anestésico. Em cima da plataforma alongou-se e lembrou de seu tempo de criança. Não muito distante mas abafado por anos e anos de treinamentos exaustivos. Brincou de se esconder, fez traquinagens e ainda, enquanto esticava o braço esquerdo ao longo do corpo, deu seu primeiro beijo. Sonhava!
Mas era necessário concentrar-se, esvaziar-se e não apenas se comportar como o melhor – deveria, apenas, ser ele mesmo. O verbo em evidência era o ser: não e comportar como uma agulha, deveria ser a agulha.
Aproximo-se do prolongamento e, com os calcanhares apoiando o seu corpo, deixou metade de seus pés para fora. Seus dedos flutuavam. Voava! Abriu os braços como um equilibrista e já não pensava em nada, tão somente em um número: noventa. Pois é, noventa graus era o foco. Bailar, bailar, bailar e adentrar em exatos noventa graus expulsando a menor quantidade possível de água. Do alto ainda podia-se ver todo o Ginásio, suas estruturas e todas as suas piscinas. E estas eram como vazias sob o perfeito luar daquela noite e, ainda, os sensores das câmeras de segurança pareciam seres à espreita, assistindo de longe o espetáculo. E este era o seu sentimento último: felicidade. Sorria!
Recuou, passo a passo, até o início da plataforma como se fora mergulhar direto para o piso onde se iniciava a escada. Arrebatou-se em inesperada arrancada e já era como um velocista a percorrer os cem metros. Corria! Num salto, lançou-se em movimentos acrobáticos ainda sobre a plataforma e já era m ginasta. Ao final dela, saltou como num salto à distância, alto como num alto a vara (sem a utilização da mesma) e, no ar, era como objeto lançado (peso, lança, dardo, prato, tido...) projetando-se no vazio. Girava! | | | | Mas não voava como apenas no ar estivesse e a gravidade não lhe impunha sua força. Nadava! Contorceu o seu corpo e músculos de várias formas e produziu mortais e giros inimagináveis. Começou a sua descida num movimento lento, forte e gracioso – era como mestre em arte marcial. Lutava! Esticou o seu corpo e prolongou os braços (juntos) em direção ao alvo. Até aí, o tempo havia quase parado quando então a agulha, numa fração de um segundo, adentrou a piscina e nem uma gota sequer ergueu-se ao ar. Atingira o seu objetivo: o salto perfeito. Confetes rubis impregnaram o ambiente. Pulsava!
Logo pela manhã os jornais noticiaram o feito inédito. E seu salto (perfeito) era exibido e reprisado várias vezes.
Ainda ao lado da piscina, sobre faixa de isolamento e as placa de manutenção, estavam aqueles que o amavam, debruçados em lágrimas para vê-lo no pódio final da sua vida. Dormia!
Vinícius Lima dos Reis
Mais um selo e, novamente, pela competente Jana Cambuí, de seu múltiplo blog O Infinito Público. “Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc…, que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras." Sem palavras, só tenho a agradecer!
Meus Indicados:
O Monólogo Coletivo Luz Acesa e Circulante August 09  Em meus estudos mais profundos, Firmei convênio com o absurdo. Serei preciso na incisão primeira, Aplicarei bem na veia A medida perfeita, equilibrada como você!
Já não tenho medo do óbito, Não é meu este corpo mórbido Estendido à análise alheia.
| Sou um acadêmico moderno, Mesmo não atendendo a apelos: Reformo modelos, técnicas e métodos; Sou científico naquilo que administro: Tenho que gerar prazer! |
| Lembro muito bem daquela disciplina: Anatomia! Vista, hoje em dia, em livros memoriais. Encontros breves: corpo, pele; Vi o suficiente: coração, peito aberto; Muito mais de perto pude te enxergar! | A probabilidade inspira a possibilidade. Biologicamente falando, tenho mas nem tanto: Ética, estatística prévia do que amo. Vinícius Lima dos Reis Feira de Santana – Ba., 07 de outubro de 2006 August 01 Havia me esquecido de publicar que fui selecionado no concurso Banco de Talentos (Edição 2007) da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). Então, eis aí:
Participam bancários-artistas de mais de 150 municípios... De acordo com as estatísticas desse projeto cultural, o evento já atingiu mais de 10 mil bancários, espalhados em mais de 150 municípios de 19 estados do Brasil. O Banco de Talentos Febraban é uma iniciativa cultural destinada, exclusivamente, para bancários artistas amadores. Os poetas e escritores que já possuem livros publicados, escultores com obras expostas no exterior e cantores com experiências em festivais musicais e CDs gravados provam que os talentos estão aí; para descobri-los, basta oferecer uma oportunidade.
Cumprindo ciclos bienais de caráter permanente, nos anos ímpares são tradicionalmente pesquisadas as categorias Artesanato, Canto Coral, Escultura, Literatura e Teatro. Enquanto nos anos pares: Música, Pintura e Fotografia.
Propósito Consegue perceber no sorriso da hiena a fome e o desejo de viver, O convite estendido aos amigos e o banquete que irá acontecer? Os dentes largos enquanto a presa, aos cacos, será a figura da alegria no luto. Se o acuado é grande o risco é mais alto, daí é nada ou tudo! Alegre-se na decadência da rosa, pétalas murchas e frouxas: Nas folhas soltas e abelhas loucas sem trabalho, sua diversão; Nos tons pastéis mas não menos alegres, o anúncio das chuvas; Na queda de tudo, quando entra o outono, e as colheitas que virão. O pensar e o existir são nada mais que equivalentes bases, Mas o levantar dos mares é o seu contentamento, o viver! E viver é isto: é o vírus atacando os vivos em seu propósito de existir. Então exultemos ao sangue das lebres que amamenta os lobos ao nascer! Sente a casualidade e o caos provocado? Quando não se joga dados vê-se do alto o tabuleiro e o xadrez, As contradições que alavancam o homem, a decadência ao lado; A possibilidade de viver amando e amado, tudo de vez! July 29  Meu primeiro selo! Me foi passado pela talentosa Jana Cambuí, investida de seu blog Infinito Público. Muito obrigado... Seguem as minhas indicações: O Monólogo Coletivo Luz Acesa e Circulante Marília Carboni Regulamento O prêmio deve ser atribuído aos blogs que vocês considerem ser bons. Entende-se como bons blogs aqueles que vocês costumam visitar regularmente e deixar comentários - se você recebeu o “Diz que até não é um mau blog”, deve escrever um post indicando a pessoa que lhe deu o prêmio com um link para o respectivo blog. Neste post devem aparecer o selo e as regras. Indique outros nove blogs ou sites para receberem o prêmio - exibir orgulhosamente o selo do prêmio no seu blog, de preferência com um link para o post em que fala dele e de quem te presenteou. July 19
Quero poetizar. Sei que não sou poeta mas quero sentir, quero afirmar. Vou numa página branca desenhar o meu rosto, definir as cicatrizes do meu ser. Gritar ao entendimento alheio os meus anseios e meu prazer. Ainda esquadrinhar as métricas, medir a festa e o gosto do viver. Vou quebrar a régua, extinguir as regras da vã forma de escrever.
| Lerei Carlos, hastearei Bandeira, pedirei desculpas a Chico, apelarei para Moraes. Marcarei um encontro com Einstein pra expor as relatividades, me mostrarei mais mortal. Analisarei a claridade de Clarice e a cor da Cora. | |
Ouvirei a prosa e também o Tom. Falarei direto com Salomão, cantarei seus cantares. Correrei atrás da sabedoria e buscarei o dom. | Nisto tudo serei sóbrio! Serei mórbido no amor humano, amarei a morte e o insano. Anunciarei o luar.
Farei minha própria música, quero ter mais astúcia no meu querer e pensar. Vou fazer uma plástica, fugirei do pensar das massas, desmistificarei o horror. Serei um novo, voltarei ao ovo no meu gesto e no meu andar.
Procurarei as respostas e, quando encontrá-las, montarei as minhas próprias perguntas. Vestirei o triângulo, mapearei as bermudas, sumirei no mapa e no mar.
Quero fabricar meus próprios pensamentos, expor meus sentimentos. Farei o sol nascer. Vinícius Lima dos Reis Feira de Santana – Ba., 04 de julho de 2006
July 01 É tão fácil importar-se Com alguém que se importa.
Dar com a cara na porta quando, Em casa, não tem ninguém; Comer quando se tem fome, Satisfazer-se na fome de outrem; Ir além! Dizer “te amo” No primeiro encontro, Ficar escondido comendo biscoito E não compartilhar; Interpretar o quadro em tua pele, Sorrir quando não se deve; Cavalgar! Correr sobre os mares Em cavalos marinhos, Abandonar o ser sozinho; Sonhar! Vinícius Lima dos Reis Feira de Santana – Ba., 06 de novembro de 2006
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